Sucessão internacional

Trust internacional: a sucessão da família com regra clara no Brasil

O trust é um contrato de direito estrangeiro em que o instituidor entrega bens a um administrador, o trustee, para que cuide deles em favor dos beneficiários. Desde a Lei 14.754/2023, o Brasil diz de quem são esses bens para o Imposto de Renda e quando eles passam aos herdeiros. A CRH Advisory organiza o trust da família com essas regras.

Por que CRH Advisory

  • Dupla titulação: Advocacia (OAB/SP) + Contabilidade (CRC/SP)
  • 10+ anos de experiência em Direito Tributário e Societário
  • Atuação global: EUA, Caribe, Europa e América do Sul
  • Sem intermediários: você fala diretamente com quem resolve

Em resumo

O que é um trust internacional?

Trust é a figura contratual regida por lei estrangeira que organiza a relação entre o instituidor, o trustee e os beneficiários sobre os bens indicados na escritura. Para a lei brasileira, os bens continuam do instituidor até a distribuição ou o falecimento dele.

  • Quem participa. Instituidor (settlor), administrador (trustee) e beneficiários, além da carta de desejos.
  • De quem são os bens. Do instituidor, até a distribuição ao beneficiário ou o falecimento, o que vier primeiro.
  • Na passagem. A mudança de titularidade é doação, em vida, ou transmissão causa mortis, no falecimento.
  • Declaração. Quem é o titular declara os bens do trust no Imposto de Renda, pelo custo de aquisição.

Como o Brasil trata o trust no Imposto de Renda?

A Lei 14.754/2023 trata o trust como transparente: os bens seguem com o instituidor e só passam ao beneficiário na distribuição ou no falecimento do instituidor. Os rendimentos são tributados na pessoa que é titular naquele momento.

Enquanto o instituidor vive

  • Titular O instituidor, que declara os bens do trust.
  • Rendimentos Tributados no instituidor, pelas regras que valem para ele.

Na distribuição ou no falecimento

  • Titular O beneficiário passa a ser o titular.
  • Natureza Doação, em vida, ou transmissão causa mortis.
  • Imposto ITCMD, conforme a lei do estado.

A regra está nos arts. 10 a 13 da Lei 14.754/2023. A transmissão pode ser considerada anterior se o instituidor abrir mão, de forma irrevogável, de parte do patrimônio (art. 10, § 1º). Se o trust tiver uma empresa controlada no exterior, ela é tratada como se fosse detida diretamente pelo titular, com as regras das controladas (art. 10, § 4º). As mesmas regras valem para outros contratos de lei estrangeira parecidos com o trust que não sejam controladas (art. 13). A Lei Complementar 227/2026 trouxe as normas gerais do ITCMD e tratou da transmissão dos bens do trust no exterior ao beneficiário (arts. 148 e 151).

Família caminhando de mãos dadas por uma estrada, vista de costas

Para que a família usa um trust?

O trust serve para organizar a administração e a passagem de bens que já estão fora do Brasil, com regras escritas pelo instituidor. Ele não esconde patrimônio nem afasta imposto: os bens são declarados, e a transmissão ao beneficiário segue a lei brasileira.

  • Administração profissional. O trustee administra os bens conforme a escritura e a carta de desejos.
  • Regras para os herdeiros. O instituidor define quando e como cada beneficiário recebe.
  • Bens em vários países. Contas, investimentos e empresas no exterior ficam sob um mesmo instrumento.

Como a CRH Advisory estrutura o trust da família?

O trabalho começa pelo mapa do patrimônio no exterior e pelo objetivo da família. Depois vêm a escolha da lei e do trustee, a redação da escritura e da carta de desejos e a declaração correta dos bens no Brasil.

  1. Mapa do patrimônio

    Levantamos os bens no exterior, os herdeiros e o que a família quer que aconteça com cada bem.

  2. Desenho do trust

    Comparamos o trust com a holding no exterior, a fundação e o testamento, e definimos a lei aplicável.

  3. Escritura e carta de desejos

    Acompanhamos a redação com o trustee, incluindo a obrigação de fornecer as informações que o Brasil exige.

  4. Declarações no Brasil

    Lançamos os bens no Imposto de Renda do titular e, quando couber, na declaração ao Banco Central.

O que o trustee precisa fornecer para o Brasil?

O instituidor ou o beneficiário deve pedir ao trustee os recursos e as informações para pagar o imposto e cumprir as obrigações no Brasil. Se o trustee não atender, a obrigação continua com quem está no Brasil.

A regra está no art. 10, §§ 5º a 8º, da Lei 14.754/2023. Por isso, a escritura do trust e a carta de desejos devem prever, de forma clara, o envio dessas informações ao instituidor e aos beneficiários.

A CRH Advisory revisa a escritura com esse ponto em vista e mantém, todo ano, a declaração dos bens e dos rendimentos do trust no Imposto de Renda do titular.

Perguntas frequentes sobre trust internacional

Brasileiro pode ter trust no exterior?

Pode. O trust é regido por lei estrangeira, e a Lei 14.754/2023 diz como ele é tratado no Brasil: os bens são do instituidor até a distribuição ou o falecimento, e passam ao beneficiário como doação ou herança.

Quem declara os bens do trust no Imposto de Renda?

O titular dos bens para a lei brasileira. Pela Lei 14.754/2023, os bens e direitos do trust permanecem sob a titularidade do instituidor depois que o trust é instituído, e só passam ao beneficiário no momento da distribuição ou do falecimento do instituidor, o que ocorrer primeiro. Até lá, é o instituidor quem declara os bens do trust na Declaração de Ajuste Anual, pelo custo de aquisição, e quem paga o imposto sobre os rendimentos que eles geram, pelas regras que valem para ele. Quem já informava o próprio trust na declaração deve substituí-lo pelos bens que estão dentro dele, repartindo o custo de aquisição na proporção de cada bem (art. 11, § 1º). Quando a titularidade muda, o beneficiário passa a declarar os bens recebidos. Se o trust tiver uma empresa controlada no exterior, ela segue as regras de tributação das controladas, como se fosse detida diretamente pelo titular.

O trust paga ITCMD?

A passagem dos bens ao beneficiário é considerada doação, se acontece em vida, ou transmissão causa mortis, no falecimento do instituidor (art. 10, § 2º, da Lei 14.754/2023). A Lei Complementar 227/2026 trata dessa transmissão nas normas gerais do ITCMD, e o imposto segue a lei do estado competente.

O trust protege os bens de credores?

O trust organiza a administração e a sucessão, e não serve para fugir de dívida. A transferência de bens feita para prejudicar credores pode ser questionada. A CRH Advisory analisa a origem do patrimônio e o momento de cada transferência antes de estruturar o trust.

Qual a diferença entre trust e fundação privada?

O trust é um contrato com um administrador, o trustee; a fundação privada, como a do Panamá, é uma pessoa jurídica com conselho próprio. No Brasil, a fundação controlada pode seguir as regras das controladas da Lei 14.754/2023, e o trust segue a seção própria dele.

Onde aprofundar sobre sucessão internacional?

O trust é um dos instrumentos de sucessão para bens no exterior. Estas páginas mostram as alternativas e o imposto americano sobre herança, que pesa sobre bens nos Estados Unidos.

Claudia Vasconcelos, Sócia fundadora

Por Claudia Vasconcelos — Sócia fundadora

Página revisada pela responsável técnica pelo planejamento sucessório internacional da CRH Advisory.

Profissional registrada sob OAB/SP 473344 e CRC/SP 354609, responsável técnica pela CRH Advisory, em São Paulo/SP. Conheça a CRH Advisory ou fale direto: (11) 99367-9692.

Atualizado em

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